Eu quero aprender. Aprender a respirar. Do cerne de uma estranha mágoa sem origem conhecida, surgiu em mim a vontade de nadar contra a corrente desse oceano que me sufoca. Quero aprender a dizer as coisas certas, no exato momento em que precisam ser ditas. Aprender a estar em dois lugares ao mesmo tempo, seja de corpo ou de alma. Quero cruzar a linha que risco em volta de mim, aquela que mantém todos afastados, que diz subliminarmente: “Eu tenho o controle”. Quero perder o controle. Aprender a me deixar ser controlada, mas somente nos momentos em que sei que não tenho mais domínio de mim mesma. Chorar em público. Aprender a conquistar a confiança de quem amo. O respeito. A reciprocidade. Quero aprender a nadar.
Aprendizado leva tempo, leva aos erros, aos acertos. Aprendizado requer esforço. Quero aprender a ter forças. Saber de onde as posso tirar, quando as mesmas me faltarem. Ter de sobra, pra poder dividir. Para que as perguntas que me parecem tão simples, obtenham suas respostas. As quais eu tenho certeza de que estão a zombar de mim, bem diante do meu nariz. Quero aprender a enxerga-las. Antes que esse oceano me leve de vez.
Atordoada. Perdida. Solitária. Gastando tanta energia em futilidades e poupando-a para o que realmente importa. Para aquilo que eu quero aprender. Depende de mim. Somente eu posso ser meu bote salva-vidas. Eu sou a única que posso remar. E que seja somente eu em meio a esse oceano de águas turbulentas. Não há mais espaço no bote. E enquanto não há terra à vista, contento-me em buscar o escasso ar da superfície. Em perder-me de vez em quando nessa imensidão da qual enxergo nada além de um palmo à minha frente. Enquanto a calmaria não vem.
Eu queria aprender a respirar debaixo da água do oceano.
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