21.2.11

Nós

           Quando eu te quis, você me quis. Nós fomos um do outro e essa reciprocidade era a única coisa que eu procurava. Fazia sentido, até então, que tudo que fosse meu virasse nosso e que, se fosse seu, eu poderia ter minha parte. Chegou uma hora em que a gente se perdeu nessa certeza. Aquela hora em que vira narcisismo. E eu cheguei a achar que podia resolver os seus problemas. Os meus já eram suficientes para uma pessoa só. Às vezes é melhor abrir mão. Desci do pedestal e esqueci de te levar comigo. Levou um tempo, mas deixou de ser recíproco. Eu não te queria mais, antes que você pudesse dizer o mesmo. Essa parte foi difícil. Foi tão difícil pra mim quanto foi pra você. Acredite. Se eu pudesse, te amava até morrer. Mas eu não posso. Parece até que a data de validade expirou. Da mesma forma que o leite que eu deixei na porta da geladeira. Faz mal se alguém beber. Só que você nunca foi de desistir fácil, não é mesmo? Eu bebi o leite depois do prazo de validade. E isso me fez tão mal, que você nem imagina o quanto. Tudo pra não te fazer sofrer. E era desse narcisismo que eu fugi da primeira vez. Acabei fugindo da segunda. E eu sei que essa parte foi muito mais difícil do que a outra. Porque quando se perde a mesma coisa duas vezes, é só pra ter a certeza de que você nunca a teve de fato. Nunca te pertenceu como você acreditava. Eu nunca fui sua. Eu pertencia demais a mim e não poderia ser de mais ninguém. E mesmo assim, eu continuava achando que você também me pertencia. Com toda essa prepotência, achei que você sempre esperaria por mim. E quando você deixou de ser meu, eu percebi que fazia falta. Quando eu realmente te perdi, pude ter noção do que você sentiu quando me perdeu. Dói. Eu não gosto dessa sensação. Agora estamos perdidos. Eu sem você, você sem mim. Parecia ser a única coisa que eu procurava. Agora não faz sentido. Puxa essa ponta que eu puxo a outra. Ai, que esse nó não desata nunca mais. 

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