Eu disse “Prazer”, mas você nem sabia meu nome. Descobriu que eu tinha dois. Você acabou escolhendo um. Eu escolhi o seu. Depois o tempo passou. E nos conhecemos além dos nossos nomes. Somente então pudemos traçar planos. E nossos olhos brilhavam com aquela visão do futuro. E eu dizia que era provável que nunca mais nos víssemos depois daquele mês de dezembro. E aí você sumiu.
Tudo bem. Eu te perdôo. Não pelo sumiço. Eu sei que não é de propósito. Mas sempre que eu dizia que nossos encontros seriam raros, você não acreditava. E agora você é a prova viva disso. E sabe de uma coisa? O que eu mais queria é que você me provasse que eu estava errada. Eu gostaria que você provasse que nossa amizade iria além daquele semestre. Além daquele mês de dezembro. Está indo. Mas até quando? Tudo bem, eu te perdôo. Perdôo por você ter me enganado esse tempo todo, com seus planos e olhinhos brilhantes. Perdôo você por ter feito uma certa diferença na minha vida. Perdôo você por ter se tornado importante para mim. Afinal, não foi de propósito. Ou foi?
Depois desse tempo ainda lhe devo uma carta, ainda estou com seus lápis aquareláveis e com seu “Capitães da areia”, ainda tenho uma foto sua junto com o nosso autista e tenho ¬– em algum lugar de alguma gaveta – uma palheta roxa. E ainda tenho na memória seus olhos e seus cachos (quase) loiros. Portanto, não pense que se livrou de mim; ainda tenho desculpas para poder te encontrar. Talvez para devolver suas coisas. Pode ser só para jogar conversa fora. Mas enquanto você lembrar do meu nome, eu ainda poderei fazer parte da sua vida.
Beijo... e se cuida!
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