Sangue. Vermelho. Pinga no All Star. Vermelho. Um pouco de água. Para limpar uma ferida é disso que eu preciso. A gota fina que escorre pelo joelho. Passa pela perna. Tinge a meia branca. Ela pede para eu limpar. Eu jogo uma toalha. Ela faz cara de quem não gostou. Tudo bem. Eu limpo. Eu pego a toalha. Eu pego na sua coxa. Ela estremece. Não foi você quem pediu? Minha mão escorre. Segue o sangue. Passa pelo joelho. Ela nem se mexe. Ela nem pisca. Por quê o espanto? Nunca sentiu as mãos de um homem? É claro que já. Aquelas pernas tão experientes. As mãos. Fazendo o caminho inverso. Sobem. Passam pelos joelhos. Tocam as coxas. Param. Param quando a chuva começa. Gente correndo. Muita gente. Mas eu paro. Ela para. Minhas mãos param nas suas coxas. Meu rosto para colado no dela. Não há mais testemunhas. Parque vazio. E nós. Parados. Pingando. A chuva lavou o sangue. A água escorre pelo seu rosto. Uma gota escorrendo no pescoço. Nos ombros. Nos seios. Quero segui-la. Mas minha mãos ainda seguem o sangue. E meus olhos seguem seus olhos. E meus lábios seguem os seus. E agora já é tarde. Minha língua segue a sua. E eu não paro. E ela não para.
Carro. Eu de um lado. Ela de outro. Sem falar. Único jeito de calar-lhe a boca. Mas a distância é constrangedora. Eu de um lado. Ela de outro. Dou a partida no carro. Calados. A viagem inteira. Não gostou das minha mãos? Não gostou dos meus lábios? Quer que eu chame a Maria Cláudia? Afinal ela é um exemplar melhor de homem.
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